Auditório Esperança Garcia

A proposta de renomeação emergiu de estudantes negros e negras da FD durante a organização da XXII Semana Jurídica da UnB, que ocorreu entre os dias 29 de outubro e 01 de novembro de 2018 com o tema “Raça, memória e Historia Atlântica: enegrecendo a gramática do Estado de exceção nos 30 anos da Constituição Federal e 130 anos da abolição”. A atividade científica reivindicou a verdade e a memória da experiência negra no passado e no presente e, rompendo com os limites das escritas de artigos, teses e dissertações, as vozes desses(as) estudantes saltaram dos papéis de seus trabalhos para conjugar fala e ato, ecoando a voz daqueles e daquelas ocultados pela história.


Em ato público há um ano atrás (01/11/2018), a gestão Mandacaru, o Maré e os estudantes defenderam a renomeação do auditório da FD/UnB em homenagem a Esperança Garcia.




Hoje, 1º de novembro de 2019, foi aprovado no 128ª Conselho da FD/UnB a renomeação do auditório de Joaquim Nabuco para Esperança Garcia. Na ocasião estiveram presentes professores e alunos que, após longa discussão, aprovaram, por maioria, a renomeação. Alguns professores relembraram os feitos de Joaquim Nabuco e reiteraram sua importância. Um pediu vista alegando não ter tido tempo o suficiente para aprofundar o tema. Uma se queixou da forma alegando não ser da competência do Conselho deliberar sobre este tema. Outros rebateram lendo as competências do Conselho e refutando a tese anterior. Outro relembrou o período em que a UnB foi construída e contou relatos de como funcionavam os processos de nomeação de edifícios na época. Reforçaram a importância do conteúdo, do simbolismo e do direito à memória de um povo que foi silenciado. Reforçaram a importância de Esperança Garcia. Abordaram a dificuldade e o desconforto em discutir temas que os tiram da zona de conforto. Falou-se do novo perfil dos estudantes da UnB e a importância dos símbolos e da memória para criar um ambiente de pertencimento. Por fim, decidiram pela renomeação!


Com esse ato não estamos diminuindo a importância de Joaquim Nabuco (1849 - 1910), que, vindo de família escravocrata, optou por usar os seus privilégios na luta contra a escravidão. Não questionamos o fato de ele ser um homem branco à frente de seu tempo. 


No entanto, a renomeação tem o intuito de resgatar a memória de um povo que não é lembrado como sujeito de sua própria história. Antes mesmo de Joaquim nascer, Esperança Garcia já lutava contra a escravidão. Escreveu em 1770 uma petição para o presidente da Província de São José do Piauí denunciando os maus tratos que ela, seus filhos e seus amigos sofriam. 


  


Queremos que os próximos alunos dessa faculdade conheçam Esperança Garcia e não apenas a princesa Isabel. Estamos lutando pelo direito à memória de um povo que teve sua história silenciada; pelo direito de ecoar a voz de mulheres e homens negros que lutaram e lutam contra esse sistema racista; pela pluralidade para além de discursos bonitos e vazios e para que as próximas gerações conheçam a primeira advogada negra do Brasil. Estamos agindo e conquistando um espaço que sempre foi nosso! 


Por isso diremos, com orgulho, que as próximas palestras serão no auditório Esperança Garcia. E quando nos perguntarem quem foi ela, com um sorriso no rosto, ecoaremos a voz de quem sofreu, mas escolheu não ficar calada!


Hoje, nós da gestão Contracorrente em parceria com o Maré tivemos o privilégio de dar continuidade à esta luta, e é com grande alegria que anunciamos a renomeação do auditório! Que esse novembro negro comece cheio de Esperança! 




Obs: nos próximos dias estaremos providenciando a nova placa do auditório "ESPERANÇA GARCIA".

Criado há: 7 meses, 1 semana
Atualizado há: 7 meses, 1 semana